Após um ano de intensa volatilidade no mercado de capitais, os assessores tiveram de buscar mais conhecimento técnico para entender a necessidade dos clientes e alinhar suas expectativas. Em conversa exclusiva com a CRC!News, Alexandre Cassiani, head de B2B da Guide Investimentos, analisa os principais acontecimentos do ano do ponto de vista da corretora e vê um saldo positivo para os assessores. Veja a seguir.

Na sua visão, quais foram os grandes acontecimentos do setor de assessoria de investimentos ao longo de 2022?
A volatilidade do mercado, causada por diversos fatores internos e externos – como guerra na Ucrânia, eleições e elevação da taxa de juros -, exigiu dos assessores a aproximação com os clientes. Muitos assessores, principalmente os mais novos na função, passaram pelo primeiro grande desafio da profissão. E esse cenário deve trazer resultados positivos, pois exige que os assessores busquem cada vez mais o conhecimento técnico, entendam a necessidade dos clientes e façam o alinhamento de expectativa. Ou seja, faz com que o nível de assessoria tenha que ser cada vez mais elevado.
E em relação à Guide, quais projetos e realizações foram destaque neste ano?
Fizemos uma série de melhorias na parte de tecnologia para facilitar a vida dos assessores e também dos clientes/investidores. Além disso, dentro do B2B, mais especificamente na parte de expansão, focamos muito na oportunidade de transformar assessores em donos/fundadores de novas operações. Toda a nossa estrutura de treinamento e suporte permite que esses profissionais, que muitas vezes não têm voz ativa dentro da operação, possam ser protagonistas do seu próprio escritório.
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Para você, qual a grande expectativa para 2022 que ainda não se concretizou no setor?
Quando olhamos para o segmento de assessoria, a permissão para entrada de sócios capitalistas nas sociedades de AI foi muito esperada, mas não se concretizou.
Pensando no futuro, como você projeta 2023 para o segmento de assessorias?
O mercado de assessoria deve passar ainda por grandes mudanças. Além dessa questão do sócio capitalista, que deve ser pautada pela CVM no próximo ano, a marcação a mercado dos ativos de renda fixa e a busca por mais transparência são fatores que exigirão maior alinhamento entre assessor e cliente. Somado a isso, vemos que esse mercado continua com grande oportunidade de crescimento, dada a concentração bancária que ainda existe no Brasil. No entanto, os bancos estão se movimentando nesse sentido, o que mais uma vez exigirá dos assessores a elevação no nível de conhecimento e prestação de serviço. Além da necessidade dos principais sócios e fundadores de escritórios de evoluírem na questão de atração e retenção desses profissionais.
Texto publicado na edição 64 da revista CRC!News, acesse e leia os principais destaques do setor.