Por Pedro Xavier.
Brasília, 18 de julho de 2025 – O mercado financeiro brasileiro registrou forte abalo nesta sexta-feira, com o Ibovespa (índice da B3) fechando aos 133.382 pontos, queda de 1,61%, o patamar mais baixo desde 23 de abril.
Causas do recuo.
A instabilidade se intensificou após a divulgação de recomendações cautelares do Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro – decisão que, somada ao temor de que o presidente norte-americano Donald Trump adote medidas retaliatórias ao Brasil, pesou nos negócios.
Na semana anterior, Trump anunciou uma tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras para os EUA, alegando práticas comerciais “desleais” por parte do Brasil, além de manifestações de apoio público a Bolsonaro e ameaças de taxar produtos do BRICS em 10%.
Indicadores financeiros.
- Ibovespa: acumulou queda de 2,06% na semana e 3,94% no mês de julho, embora ainda exiba alta de 10,89% no ano.
- Dólar comercial: fechou a R$ 5,587, alta de 0,73% (R$+0,041), atingindo o maior valor desde 4 de junho. Durante o dia, a cotação oscilou entre R$ 5,52 e R$ 5,59, e o dólar acumulou avanço de 0,72% na semana e 2,82% no mês (queda de 9,59% no ano).
Repercussões.
A combinação entre decisões domésticas — como as ações do STF — e o ambiente externo, marcado por ameaças tarifárias dos EUA, gerou uma atmosfera de incerteza. O receio de uma escalada nas represálias comerciais está colocando pressão tanto no mercado de ações quanto no câmbio.
Panorama futuro.
O mercado permanece sensível a próximos passos:
- Cenário externo: observam-se sinais de novas medidas protecionistas por parte dos EUA ou apoio continuado de Trump a Bolsonaro.
- Contexto interno: eventuais novos capítulos das operações judiciais no Brasil tendem a influenciar o humor dos investidores.
Resumo: a combinação de fatores políticos internos — como ações do STF — e tensões externas, especialmente a ameaça de tarifas e críticas de Trump, levou o Ibovespa ao nível mais baixo em quase três meses. O dia destaca a vulnerabilidade dos mercados brasileiros a choques globais e decisões domésticas, ressaltando a importância de estabilidade institucional e equilíbrio nas relações internacionais.









