Por Pedro Xavier.
Brasília, 30 de julho de 2025 – Em entrevista exclusiva ao jornal The New York Times, publicada nesta quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou que o Brasil conduzirá suas negociações internacionais como um país soberano, rejeitando adotar uma postura subalterna diante dos Estados Unidos.
Soberania em foco.
Com a iminente aplicação das tarifas de 50% sobre produtos brasileiros pelos EUA, Lula rejeitou a ideia de tratar o Brasil como um país menor frente aos interesses norte-americanos:
“Em nenhum momento o Brasil negociará como se fosse um país pequeno contra um país grande. O Brasil negociará como um país soberano”.
Ele ressaltou que a seriedade na condução das questões comerciais não exige submissão “Tenham certeza de que estamos tratando isso com a máxima seriedade. Mas seriedade não exige subserviência”.
Tarifas e diplomacia.
Lula afirmou que, se as medidas tarifárias foram motivadas pelo julgamento político do ex-presidente Jair Bolsonaro, tanto brasileiros quanto americanos pagarão mais caro por produtos importados e exportados: “Se os Estados Unidos quiseram ajudar Bolsonaro, essa tentativa será paga pelo povo americano”.
Apesar das tentativas de contato por canais oficiais — incluindo envio de carta em 16 de maio e várias reuniões com autoridades americanas —, segundo o presidente, o governo dos EUA não respondeu diretamente: “Designei meu vice, meu ministro da Agricultura, meu ministro da Economia […] até agora, não foi possível [dialogar]”.
Guerra Fria? Brasil não aceita.
Ao ser questionado sobre uma possível escalada rumo a uma “Guerra Fria” entre EUA e China, Lula disse que o Brasil não escolherá lados: “Temos uma relação comercial extraordinária com a China. Se os EUA e a China quiserem uma Guerra Fria, não aceitaremos”.
Ele reiterou que negociará com quem estiver disposto a pagar mais pelos produtos brasileiros, sem preferência ideológica.









