Por Pedro Xavier.
Brasília, 30 de julho de 2025 – A missão parlamentar brasileira aos Estados Unidos concluiu sua agenda com o objetivo de conter os efeitos do tarifaço anunciado pelo governo do presidente Donald Trump contra produtos brasileiros. A comitiva, formada por senadores de diferentes partidos, buscou “abrir portas” e “quebrar o gelo” com autoridades norte-americanas para defender um adiamento na aplicação das tarifas, que devem impactar diversos setores da economia nacional.
Diplomacia parlamentar em campo.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura, destacou que a missão teve caráter diplomático informal: “Nosso objetivo foi abrir portas, quebrar o gelo e fazer com que o pedido de adiamento da aplicação das tarifas chegue à Casa Branca.”
O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado (CRE), senador Nelsinho Trad (PSD-MS), reforçou que a comitiva não tem poder para negociações formais — atribuição exclusiva do Executivo —, mas acredita que a visita foi bem-sucedida na criação de canais de diálogo. “Ninguém esperava resolver a questão em uma visita. Mas conseguimos abrir caminho para o diálogo”, afirmou Trad.
A expectativa dos parlamentares é de que o governo brasileiro consiga prorrogar o início da taxação de forma ampla, ainda que não haja confirmação oficial sobre essa possibilidade.
Alerta sobre nova ameaça.
Durante a missão, o senador Carlos Viana (Podemos-MG) alertou para uma nova crise iminente: um projeto de lei em tramitação no Congresso americano que prevê sanções a países que mantêm relações comerciais com a Rússia. “Esse projeto pode atingir o Brasil em até 90 dias. Precisamos agir desde já para preservar nossas importações de fertilizantes”, alertou Viana.
Ele defendeu uma atuação técnica da diplomacia brasileira, no sentido de apresentar justificativas estratégicas para garantir exceções ao Brasil, dada sua dependência do insumo para o agronegócio. Segundo o senador, autoridades americanas sinalizaram que o Brasil precisará ir além de um simples pedido de isenção: “Nas conversas, nos foi dito que será necessário apresentar algo mais robusto à mesa de negociação”, disse, sem detalhar quais seriam as exigências.
Lula acompanha negociações.
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), também integrou a comitiva e afirmou já ter discutido o tema com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, um encontro direto entre Lula e Trump está sendo considerado, mas não deve ocorrer antes de 1º de agosto.
Wagner demonstrou preocupação com o percentual da tarifa que será aplicado ao Brasil. “Espero que não seja nos mesmos moldes dos 25% anunciados para a Índia.” O senador reforçou que, embora haja abertura para o diálogo, questões de natureza judicial estão fora da mesa de negociação.
Assuntos judiciais não entraram na pauta.
Os parlamentares esclareceram que temas relacionados ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, não foram abordados nas reuniões com congressistas e autoridades dos EUA.
A exclusão do tema confirma a estratégia da comitiva de manter o foco exclusivamente nas questões comerciais e diplomáticas ligadas à política tarifária dos Estados Unidos e aos impactos no setor produtivo brasileiro.









