Por Pedro Ricardo.
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS agendou para esta semana o depoimento da empresária Leila Pereira, presidente da Crefisa, no âmbito das investigações sobre fraudes envolvendo aposentados e pensionistas da Previdência.
A oitiva está prevista para quarta-feira e integra uma nova fase da comissão, que tem ampliado o foco sobre instituições financeiras e operações de crédito consignado. A convocação foi aprovada a partir de requerimentos parlamentares que buscam esclarecer a atuação de bancos e financeiras na concessão de empréstimos a beneficiários do INSS.
Pressão sobre instituições financeiras
Leila Pereira foi chamada a depor como testemunha para explicar denúncias e o volume de reclamações relacionadas à atuação da Crefisa em operações com aposentados. Parlamentares apontam indícios de irregularidades em contratos e práticas comerciais no segmento de crédito consignado.
O movimento reflete uma mudança de estratégia da CPMI, que passou a direcionar parte relevante das investigações para o papel de bancos e fintechs no ecossistema de benefícios previdenciários. Levantamento citado pelo relator da comissão indica que diversas instituições financeiras concentram queixas de consumidores, incluindo Crefisa, C6 Consignado, BMG, PAN e outras.
Depoimento cercado de impasses
O depoimento de Leila Pereira já foi alvo de adiamentos e disputas jurídicas. Inicialmente previsto para o início de março, o comparecimento foi remarcado após decisões judiciais e pedidos da defesa, além de questões de agenda.
Em um dos episódios, decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) permitiu o reagendamento da oitiva, o que gerou críticas de integrantes da comissão e acirrou o debate sobre os limites entre Judiciário e Legislativo.
Nova fase da investigação
A CPMI do INSS investiga um esquema de fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios previdenciários, com suspeitas de participação de associações, intermediários e empresas do setor financeiro.
A expectativa dos parlamentares é que o depoimento de Leila Pereira ajude a esclarecer como funcionam os contratos de crédito consignado, os mecanismos de autorização de descontos e eventuais falhas de controle no sistema.
Com a ampliação do escopo das apurações, a comissão sinaliza que deve intensificar a pressão sobre o setor financeiro nas próximas semanas, colocando bancos e empresas de crédito no centro do debate político e regulatório.









