Por Pedro Xavier.
Brasília, 11 de julho de 2025 – Em coletiva nesta sexta-feira (11), o Ministério da Fazenda divulgou o Boletim Macrofiscal de julho e divulgou revisões importantes para a economia brasileira em 2025. Segundo o documento da Secretaria de Política Econômica (SPE), a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi elevada de 2,4% para 2,5%, enquanto a inflação medida pelo IPCA foi reduzida de 5,0% para 4,9%.
Principais destaques do boletim.
- PIB 2025: a alta de 0,1 p.p. reflete a resiliência do mercado de trabalho no segundo trimestre, superior ao esperado, e a perspectiva de maior consumo das famílias apesar da política monetária restritiva.
- Inflação (IPCA): a redução da estimativa decorre dos valores abaixo do esperado nos meses de maio e junho e da valorização projetada do real frente ao dólar. A estimativa de inflação para 2026 permanece em 3,6%, dentro da meta oficial, com previsão de convergência ao centro da meta a partir de 2027.
Setores em destaque.
- Agropecuária: principal motor da revisão do PIB, teve sua projeção elevada devido à expectativa de safras robustas de milho, café, algodão e arroz.
- Serviços: também teve a projeção ajustada ligeiramente para cima, de 2,0% para 2,1%.
- Indústria: sua estimativa foi reduzida de 2,2% para 2,0%, refletindo os impactos da alta da taxa básica de juros sobre a atividade industrial.
Tarifas dos EUA: impacto limitado.
O boletim destaca que as projeções não incorporam os efeitos da elevação das tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos — que passarão a 50% a partir de 1º de agosto. Segundo a SPE, o impacto deve se concentrar em setores manufatureiros específicos e deve ser limitado para o crescimento agregado em 2025, graças à diversificação da pauta exportadora brasileira.
Comparativo com projeções de mercado.
Enquanto o governo revisa para cima o crescimento estimado, a mediana das previsões do mercado financeiro mantém-se em torno de 2,23% para 2025. A projeção da Fazenda está, portanto, levemente mais otimista que a visão do mercado.
Perspectiva internacional.
De acordo com um levantamento da Reuters, o Ministério da Fazenda já havia elevado sua previsão de crescimento de 2,4% para 2,5% este mês, enquanto aguardava uma leve desaceleração para 2026, com crescimento previsto de 2,4%. O Goldman acha que a leitura oficial do governo diverge positivamente das expectativas mais conservadoras do Banco Central.







