Por Pedro Xavier.
Brasília, 17 de julho de 2025 – A Instituição Fiscal Independente (IFI), vinculada ao Senado, divulgou relatório apontando que as contas do governo federal registraram melhora expressiva neste primeiro semestre. No entanto, a instituição alerta sobre o risco de deterioração fiscal já em 2026, exigindo medidas urgentes de ajuste orçamentário.
Avanço fiscal no primeiro semestre.
- Redução drástica do déficit primário: caiu de R$ 67,4 bilhões no 1º semestre de 2024 para R$ 8,7 bilhões no mesmo período de 2025.
- Superávit acumulado em 12 meses: de R$ 15,7 bilhões — cerca de 0,1% do PIB — revertendo o déficit de R$ 253,9 bilhões registrados um ano antes.
Fatores por trás da melhora.
- Orçamento sancionado tardiamente em abril, retardando despesas discricionárias e emendas, o que ajudou a conter gastos no curto prazo.
- Despesas represadas — inclusive precatórios e programas sociais — contribuíram para os números positivos do semestre, mas podem provocar aumento de restos a pagar em 2026.
Indicadores econômicos estruturais.
- A economia segue operando acima do potencial — com hiato do produto estimado em +1,1% no 1º trimestre e +0,6% no 2º — exercendo pressão inflacionária, apesar de já apresentar redução.
- A receita líquida cresceu 3,1% real, mas depende de medidas temporárias, como aumento do IOF e tributação de fundos, cuja aprovação ainda é incerta.
Preocupações para 2026.
- A IFI destaca que o bom desempenho atual é temporário e alerta para um possível agravamento fiscal no próximo ano. Para atingir a meta de superávit primário em 2026, serão necessários R$ 70‑80 bilhões extras em receitas.
- A projeção oficial aponta déficit primário de R$ 128 bilhões em 2026 (0,95% do PIB), sugerindo a urgência de medidas de arrecadação e ajuste de gastos.
Recomendações da IFI.
- Implementar contingenciamentos adicionais imediatos neste segundo semestre de 2025.
- Aprovar medidas estruturais para expansão de receita — como IOF, MP 1.303 e discussão no Congresso — para restabelecer o equilíbrio fiscal no médio prazo.
- Monitorar cuidadosamente a execução orçamentária e restos a pagar, evitando que os gastos represados se traduzam em crises futuras.
Por que isso importa?
- Sustentabilidade fiscal: a melhora no curto prazo esconde a necessidade de ajustes significativos para evitar risco de descontrole orçamentário em 2026.
- Impacto na dívida pública: déficits recorrentes e crescimento da dívida podem elevar os custos com juros, limitando espaço para investimento público.
- Condições econômicas: uma gestão fiscal desajustada pode intensificar pressões inflacionárias e aumentar juros, impactando o crescimento.








