Por Pedro Ricardo.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu manter em stand-by a apresentação de um novo projeto do governo para alterar a escala de trabalho 6×1 — modelo em que o trabalhador trabalha seis dias e descansa um. A estratégia do Planalto é aguardar o avanço de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que já tramita na Câmara dos Deputados sobre o tema.
Segundo interlocutores do governo, a avaliação é que o envio imediato de um projeto do Executivo poderia sobrepor iniciativas em discussão no Congresso e gerar desgaste político desnecessário com a Câmara, especialmente com a presidência da Casa em um ano de forte agenda legislativa e tensão política.
Estratégia para evitar conflito com o Congresso
A decisão de adiar o envio do projeto faz parte de uma estratégia de articulação política. O Palácio do Planalto pretende acompanhar a evolução da PEC em tramitação antes de definir se apresentará um texto próprio ou se apoiará a proposta que venha a avançar entre os deputados.
A leitura no governo é que a tramitação de uma emenda constitucional pode ter maior força política, já que a mudança na jornada de trabalho pode exigir alterações na Constituição. Além disso, o Executivo busca evitar que duas propostas concorrentes fragmentem o debate dentro do Congresso.
Tema é prioridade da agenda trabalhista
Apesar da cautela na estratégia legislativa, o fim da escala 6×1 continua sendo considerado uma prioridade da agenda social e trabalhista do governo para 2026, ao lado da regulação do trabalho em plataformas digitais.
O debate ganhou força nos últimos meses com apoio de sindicatos e movimentos trabalhistas, que defendem a adoção de modelos com dois dias consecutivos de descanso semanal, sem redução salarial.
Debate ainda enfrenta resistência
Por outro lado, setores empresariais demonstram preocupação com o impacto da mudança na organização das jornadas de trabalho e nos custos operacionais, especialmente em setores como comércio, serviços e logística.
Diante desse cenário, o governo tenta equilibrar a defesa da pauta trabalhista com a necessidade de construir maioria política no Congresso, onde propostas relacionadas à jornada de trabalho costumam enfrentar negociações complexas.









