Por Pedro Ricardo.
Mesmo após avanços recentes nas negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, cerca de 22% das exportações brasileiras para o mercado norte-americano continuam sujeitas a sobretaxas impostas pelo governo dos EUA. A informação foi divulgada pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.
A declaração ocorreu após a decisão do governo norte-americano de retirar tarifas adicionais sobre 238 produtos brasileiros — medida considerada pelo governo brasileiro como o maior progresso nas tratativas bilaterais até o momento. Com isso, a parcela das exportações afetadas caiu de 36% para os atuais 22%.
Segundo Alckmin, a retirada das tarifas representa um avanço concreto, mas ainda insuficiente para normalizar plenamente o comércio entre os dois países. O governo brasileiro segue atuando para ampliar a lista de produtos isentos e reduzir os impactos sobre setores estratégicos, especialmente a indústria.
Entre os produtos beneficiados pela decisão norte-americana estão itens majoritariamente agrícolas, como café, carne bovina, banana, tomate, açaí, castanha de caju e chá. A isenção tem efeito retroativo e inclui possibilidade de reembolso para exportações já realizadas.
Apesar do alívio para o agronegócio, dados do Ministério do Desenvolvimento indicam que uma parcela relevante das exportações ainda enfrenta tarifas elevadas. Estima-se que cerca de US$ 8,9 bilhões em vendas ao mercado norte-americano seguem submetidos a sobretaxas adicionais, enquanto outros produtos continuam sujeitos a tarifas específicas, como as aplicadas aos setores de aço e alumínio.
O impacto é particularmente significativo para a indústria brasileira, que enfrenta maior dificuldade para redirecionar exportações a outros mercados em comparação com commodities agrícolas. Especialistas e autoridades apontam que a diversificação de destinos comerciais e a intensificação das negociações bilaterais são caminhos centrais para mitigar os efeitos do tarifaço.
As medidas protecionistas adotadas pelos Estados Unidos fazem parte de um contexto mais amplo de tensões comerciais iniciadas em 2025, quando tarifas de até 50% passaram a incidir sobre produtos brasileiros. Desde então, o governo brasileiro tem buscado negociar a redução das barreiras e preservar a competitividade das exportações nacionais.
Mesmo com os avanços recentes, o cenário ainda exige cautela. O governo brasileiro mantém a estratégia de diálogo diplomático e negociação técnica, com o objetivo de reduzir gradualmente as restrições e restabelecer condições mais equilibradas no comércio bilateral.









