Por Pedro Ricardo.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender, nesta sexta-feira (20), a criação de uma reserva estratégica de combustíveis no Brasil como forma de proteger o país contra choques internacionais e garantir maior estabilidade no abastecimento interno.
A proposta foi apresentada durante evento da Petrobras em Minas Gerais e integra uma agenda mais ampla do governo voltada à segurança energética e ao controle dos impactos da volatilidade global sobre os preços domésticos.
Estoque regulador como resposta a crises internacionais
Segundo Lula, a criação de um estoque regulador deve ser pensada como uma política de longo prazo. O objetivo é reduzir a exposição do Brasil a eventos externos — como conflitos geopolíticos — que afetam diretamente o mercado internacional de petróleo.
O presidente citou, por exemplo, a escalada de tensões no Oriente Médio e os riscos associados ao Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo. Nesse contexto, a reserva funcionaria como uma “blindagem” contra oscilações abruptas de preços e eventuais interrupções no fornecimento.
Dependência externa amplia risco para o Brasil
Atualmente, o Brasil ainda apresenta elevada dependência de importações de combustíveis, especialmente diesel. Estima-se que cerca de 30% do consumo nacional do produto venha do exterior, o que aumenta a sensibilidade da economia brasileira a choques internacionais.
Na avaliação do governo, essa vulnerabilidade compromete tanto o abastecimento quanto a previsibilidade de preços, com impacto direto sobre inflação, transporte e custo de vida.
Soberania energética no centro da estratégia
Ao defender a medida, Lula associou a criação da reserva à ideia de soberania nacional. Segundo ele, o mecanismo funcionaria de forma semelhante às reservas internacionais em dólar, que atuam como colchão de proteção em momentos de crise econômica.
Além da formação de estoques, o presidente também indicou que o governo pretende ampliar investimentos em refino e avaliar a construção de novas refinarias, reforçando a capacidade interna de produção e reduzindo a dependência externa.
Medida se soma a pacote emergencial para combustíveis
A proposta surge em meio a um conjunto de ações recentes do governo para conter a alta dos combustíveis. Entre elas, estão a redução de tributos e a concessão de subsídios ao diesel, com o objetivo de amortecer o impacto da valorização do petróleo no mercado internacional.
Além disso, o governo tem pressionado estados a reduzir o ICMS sobre combustíveis, como parte de uma estratégia coordenada para evitar repasses ao consumidor final.
Debate estrutural ganha força
A defesa da reserva estratégica recoloca no centro do debate a necessidade de uma política energética mais robusta no Brasil. Especialistas avaliam que, diante do cenário global instável, instrumentos de proteção — como estoques reguladores — tendem a ganhar relevância na formulação de políticas públicas.
A proposta, no entanto, ainda dependerá de modelagem técnica, definição de custos e eventual articulação com o Congresso Nacional para avançar.









