Por Pedro Xavier.
Brasília, 23 de julho de 2025 — Em reação à ameaça de imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros pelos EUA, uma comitiva suprapartidária de oito senadores embarca para Washington entre os dias 29 e 31 de julho, exatamente antes da vigência da medida, marcada para 1º de agosto.
Objetivo da missão.
- Sensibilizar parlamentares norte-americanos de ambas as siglas — republicanos e democratas — sobre os impactos negativos da medida, que recairá sobre setores chave como agronegócio, indústria e exportações brasileiras.
- Argumentar que, apesar da balança comercial dos EUA ser favorável aos norte-americanos, as tarifas elevarão preços nos mercados americanos e provocarão demissões no Brasil.
Quem integra a comitiva.
Comissão temporária da CRE (Comissão de Relações Exteriores) e CAE, composta pelos seguintes senadores:
- Titulares: Nelsinho Trad (PSD‑MS) – presidente da missão; Jaques Wagner (PT‑BA); Tereza Cristina (PP‑MS); Fernando Farias (MDB‑AL).
- Suplentes: Marcos Pontes (PL‑SP); Esperidião Amin (PP‑SC); Rogério Carvalho (PT‑SE); Carlos Viana (Podemos‑MG).
Estratégias adotadas.
- Reforço diplomático: Senador Nelsinho Trad defende que a missão represente uma “postura pragmática e responsável”, evitando mísulas de choque, focando na geração de empregos e renda.
- Negociações internas anteriores: encontros prévios com o chanceler Mauro Vieira e apoio do Itamaraty, com expectativa de adiar ou reverter a medida.
- Mobilização do setor privado: carta da Câmara de Comércio dos EUA (US Chamber) e anúncio de R$ 35 bi (≈ US$ 7 bi) em investimentos de multinacionais brasileiras nos EUA, destacando o vínculo econômico bilateral.
Reações no cenário político.
- Críticas conservadoras: Deputado Eduardo Bolsonaro afirmou que a comitiva está “fadada ao fracasso” sem uma anistia política, pedindo mais legitimidade.
- Na Casa Alta: Senadores como Renan Calheiros (MDB‑AL) classificam o “tarifaço” como “terrorismo tarifário” e carga política contra o Brasil, defendendo uma resposta firme — incluindo uso da Lei da Reciprocidade e maximizando articulações multilaterais com os BRICS.
Consequências previstas.
- Paralisação parcial de exportações, especialmente de carne bovina, com relatos de unidades frigoríficas suspensas e risco de demissões, particularmente no Mato Grosso do Sul.
- Impactos domésticos via inflação: aumento dos preços de alimentos importados nos EUA, afetando o supermercadista americano.









