
Fundada no início do ano por ex-sócios da AZ Quest, a Tenax Capital, cujo nome significa “tenacidade” em latim, teve de honrar o significado da palavra logo nos primeiros instantes. “O início foi marcado por uma data extremamente desafiadora: lançamos a primeira cota da Tenax em 25 de fevereiro, véspera do carnaval e 48 horas após os primeiros bombardeios da guerra na Ucrânia”, explica Alexandre Silverio, CEO da gestora, em entrevista à CRC!News.
Engenheiro de formação, Silvério explica que, na física, tenacidade é a capacidade de deformação do corpo sem se romper. Olhando por um viés mais filosófico, a tenacidade pode, ainda, ser interpretada como a capacidade de resistir a momentos difíceis. Para o gestor, esse é um aspecto importante para qualquer profissional que planeja estar no mercado.
O CEO esteve na AZ Quest por dez anos, quando entendeu, no ano de 2020, que seu ciclo na empresa havia se encerrado. “Acabei negociando a saída no final do ano, assim como outros sócios. A partir do início de 2022, estávamos liberados para retornar ao mercado”, explica Alexandre, falando do período de non-compete.
A reunião destes profissionais foi o ponto de partida para a fundação da nova empresa. “Tomamos decisões estratégicas importantes logo no início, como estabelecer uma parceria com o Itaú”, conta Alexandre sobre o programa Rising Stars da instituição.
A iniciativa consiste em oferecer aos clientes a possibilidade de investir em gestoras, entre elas a Tenax Capital, única startup do programa. “Tivemos uma série de benefícios e uma tranquilidade adicional de contar com um parceiro que não participa do nosso dia a dia. Ou seja, 100% das ações estão nas mãos dos sócios e colaboradoras da gestora”, explica.
O CEO classifica a parceria com o banco como uma espécie de selo de qualidade para a empresa. “Estamos crescendo bastante em outras plataformas e bancos, mas sem dúvidas ter o Itaú desde o início fazendo esse acompanhamento dos processos encurta alguns caminhos”, pondera Silverio.
Desafio empreendedor
Alexandre classifica as dificuldades do empreendedorismo em duas categorias: as conhecidas, aquilo que já sabe do mercado ao longo de seus 27 anos de carreira, as desconhecidas, como o fato de iniciar um negócio do zero e mergulhar de cabeça no empreendedorismo. Apesar disso, a empresa possui um grupo bastante experiente e empolgado com os desafios da nova fase.
Apesar da vasta experiência dos sócios, a Tenax é o primeiro projeto que os profissionais comandam desde o início, “É muito desafiador e muito empolgante”, classifica Alexandre. “Isso até ajudou esse grupo a ter uma amálgama maior”, completa. Hoje, a empresa conta com 27 colaboradores e uma cultura bastante clara de meritocracia, além de uma governança robusta, como define o CEO. Além disso, o clima inclusivo e diverso é uma preocupação da empresa. Um exemplo foram os depoimentos dos estagiários da empresa nas mídias sociais em comemoração ao dia do estagiário.
Especializado em fundos multimercado macro e de renda variável, Alexandre considera o cenário atual delicado, com a perda de recursos por parte da indústria devido aos inúmeros resgates desde 2021. Apesar disso, a empresa tem obtido sucesso na condução dos fundos. “Hoje já temos R$900 milhões sob gestão”, conta. A meta da empresa é chegar a R$1 bilhão antes de completar o primeiro ano.
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Resultados promissores
Em seu catálogo, a gestora oferece três produtos. O Tenax Macro, fundo multimercado macro global tocado por uma equipe exclusiva comandada por Sergio Silva e Vinicius Fukushiro. Já Alexandre, Rodrigo Melo e Adriano Thiago ficam responsáveis pelos produtos de renda variável, enquanto a economista-chefe Débora Nogueira é fundamental para o funcionamento dos produtos.
Em renda variável a empresa oferece dois fundos. O Tenax Ações, que reúne uma carteira próxima a 25 papéis de empresas com bom potencial de valorização. E o terceiro produto é o Tenax Total Return, que tem como benchmark o IPCA+Yield IMA-B. Neste fundo, o cliente tem a capacidade de retorno bastante protegida. “No pior momento da bolsa nesses seis meses (uma queda de 21%), o TR caiu só 7%”, explica Alexandre.
Com seis meses de empresa, a primeira lâmina com os resultados do semestre traz resultados satisfatórios. Todos os três produtos da gestora entregaram resultados acima de seus benchmarks. “Uma lâmina ruim nos seis meses iniciais atrasa muitas conquistas possíveis. Ter a capacidade de continuar crescendo para reter profissionais e atrair novos talentos é muito importante”, conta.
“Ter esse tipo de resultado e ver a empresa conseguindo atingir clientes em 12 plataformas diferentes, três bancos e centenas de reuniões com potenciais clientes, vamos semeando e mostrando o nosso trabalho. À medida que esse mercado for mudando, vamos capturar um pedaço dessa melhora”, finaliza Alexandre.
Texto publicado na edição 55 da revista CRC!News, acesse e leia a edição completa.