Por Sérgio Samuel dos Santos, economista e especialista em fundos e previdência do Sistema Ailos.
O comunicado do Copom com o corte não traz surpresas, seguiu com o corte que havia sido indicado na última reunião, mantendo o padrão de consistência que o Copom tem demonstrado entre o que comunica e o que faz.
Como esperado, existe todo um destaque para o conflito no Oriente Médio e para a incerteza quanto à duração do conflito e à mensuração do impacto na inflação, mas, mesmo assim, a manutenção que o Copom havia feito de uma taxa Selic elevada, em patamares contracionistas, surtiu efeito e permitiu que ocorresse a primeira calibração da taxa Selic.
Existe espaço para alterações no ritmo dessa calibração, que dependem de novas informações para mitigar as incertezas. Com toda certeza, as próximas divulgações do IPCA-15 e do IPCA de março serão de suma importância para a definição da próxima reunião do Copom, podendo inclusive resultar em um corte de 0,5 ponto percentual, caso o comitê julgue que o processo de arrefecimento da economia e de desinflação permaneça em seu curso em direção à meta de inflação.
Para a economia, essa decisão é muito bem-vinda, porque começa a reduzir a pressão sobre o custo do crédito para as famílias e empresas, além de aliviar o custo da dívida pública, o que é importante para a saúde fiscal da economia brasileira e continuidade do crescimento sustentável.
Do ponto de vista dos investidores, esse corte produz pouco efeito no curto prazo. Os ativos de renda fixa seguem atrativos, a taxa de juros continua em um patamar elevado, e o peso da próxima reunião do Copom é maior, pois o Comitê deverá trazer mais definições a respeito dos próximos passos, conforme o cenário externo for se tornando mais claro.









