Por Pedro Luís.
O mercado financeiro reduziu, pela primeira vez desde março, a expectativa para a taxa básica de juros (Selic) em 2026. Segundo o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (3) pelo Banco Central, a mediana das projeções passou de 14,00% para 13,75% ao final do próximo ano. A revisão ocorre às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para os dias 4 e 5 de agosto.
A mudança interrompe uma sequência de meses de estabilidade nas expectativas para os juros e reforça a percepção do mercado de que o ciclo de flexibilização monetária poderá continuar ao longo dos próximos trimestres, caso a inflação siga desacelerando e o cenário econômico permaneça favorável.
Inflação também recua
Além da Selic, os analistas voltaram a reduzir as estimativas para a inflação. Pela quinta semana consecutiva, a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 caiu, passando de 5,12% para 5,03%. Para 2027 e 2028, as expectativas permaneceram praticamente inalteradas.
Apesar da melhora nas projeções, a inflação ainda segue acima da meta perseguida pelo Banco Central, o que reforça a expectativa de uma condução cautelosa da política monetária.
PIB e dólar permanecem estáveis
As previsões para o crescimento da economia e para o câmbio praticamente não sofreram alterações. O mercado manteve a expectativa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 1,99% para 2026, enquanto a cotação do dólar foi mantida em R$ 5,20 para o fim do ano.
Expectativa para o Copom
A revisão das projeções ocorre em um momento de grande atenção às decisões do Banco Central. A Selic está atualmente em 14,25% ao ano, e parte relevante do mercado espera um novo corte de 0,25 ponto percentual na reunião desta semana, levando a taxa para 14,00%.
Caso o Copom confirme essa expectativa, será o quarto corte consecutivo da taxa básica de juros em 2026. Ainda assim, analistas avaliam que a autoridade monetária deverá manter um discurso prudente diante das incertezas fiscais e da necessidade de consolidar a convergência da inflação para a meta.









