Por Pedro Luís.
O Brasil poderá recuperar o chamado grau de investimento (investment grade), mas esse movimento dependerá da combinação entre disciplina fiscal e estabilidade política após as eleições de 2026. A avaliação é da agência de classificação de risco Moody’s, que aponta o cenário eleitoral e a capacidade do próximo governo de promover um ajuste sustentável das contas públicas como os principais fatores para uma futura elevação da nota de crédito do país.
Atualmente, o Brasil possui classificação Ba1 pela Moody’s, apenas um nível abaixo do grau de investimento. A agência, entretanto, ressalta que ainda há desafios importantes relacionados à dinâmica da dívida pública, à rigidez das despesas obrigatórias e à credibilidade da política fiscal.
Fiscal continua sendo o principal desafio
Segundo a Moody’s, o crescimento da economia brasileira e a resiliência do setor externo são fatores positivos para a avaliação do país. No entanto, a evolução da dívida pública dependerá da capacidade de o governo implementar medidas que fortaleçam o arcabouço fiscal e estabilizem a trajetória das contas públicas.
Na avaliação da agência, o próximo ciclo político será determinante para definir se haverá continuidade das políticas de consolidação fiscal ou aumento das incertezas em torno da gestão das despesas públicas.
Eleições de 2026 entram no radar dos investidores
A Moody’s destaca que o ambiente político será acompanhado de perto pelos investidores internacionais. O compromisso do governo eleito com responsabilidade fiscal, previsibilidade regulatória e continuidade das reformas poderá influenciar diretamente a percepção de risco do Brasil.
O tema ganha relevância porque a recuperação do grau de investimento tende a reduzir o custo de financiamento do país e ampliar o interesse de investidores institucionais globais, muitos dos quais possuem restrições para aplicar recursos em economias classificadas abaixo do investment grade.
Mercado acompanha sinais fiscais
O debate ocorre em um momento em que investidores continuam demonstrando preocupação com a trajetória da dívida pública brasileira. Dados recentes do Tesouro Nacional mostram aumento da participação de títulos indexados à Selic na composição da dívida, refletindo maior aversão ao risco e preferência por papéis de menor prazo em meio às incertezas fiscais e ao cenário internacional.









