Por Pedro Lucas
m audiência na Comissão Mista de Orçamento, secretário do Tesouro afirmou que o país voltou a crescer em ritmo superior ao período pré-pandemia, mas alertou que os juros elevados seguem pressionando a trajetória da dívida pública.
O secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, afirmou que a economia brasileira tem demonstrado resiliência desde a pandemia de Covid-19, com crescimento médio superior ao observado na década anterior. A declaração foi feita durante audiência na Comissão Mista de Orçamento (CMO), realizada para apresentação do cumprimento das metas fiscais do primeiro quadrimestre de 2026, conforme determina a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Segundo o secretário, o Brasil passou de uma média anual de crescimento econômico de 1,4% em períodos anteriores para cerca de 3% ao ano no ciclo mais recente. Na avaliação do Tesouro, esse desempenho reflete a capacidade de recuperação da economia mesmo diante de um cenário internacional marcado por elevada volatilidade.
Superávit no primeiro quadrimestre
Durante a audiência, Daniel Leal apresentou os principais indicadores das contas públicas. O governo central registrou superávit primário de R$ 9 bilhões nos quatro primeiros meses do ano, enquanto as empresas estatais acumularam déficit de R$ 6,5 bilhões no mesmo período.
A meta fiscal para 2026 permanece fixada em superávit de R$ 34,3 bilhões. De acordo com o secretário, o conjunto de metas fiscais previsto para os próximos anos deverá permitir que a trajetória da dívida pública comece a recuar a partir de 2029.
Juros elevados pressionam a dívida
Apesar da melhora no resultado primário, o Tesouro reconheceu que o elevado patamar da taxa de juros continua sendo um dos principais fatores de pressão sobre a dívida pública.
A dívida líquida do setor público passou de 65,2% do PIB, em dezembro de 2025, para 66,8% do PIB, em março de 2026, reflexo principalmente do elevado custo financeiro da dívida.
O tema também foi abordado pelos parlamentares presentes na audiência. O deputado Mauro Benevides Filho (União-CE) argumentou que os juros elevados aumentam significativamente o custo de manutenção das reservas internacionais, uma vez que os ativos em dólar apresentam rentabilidade inferior ao custo da dívida interna brasileira.
Debate fiscal segue no Congresso
A audiência integra o calendário periódico de prestação de contas do Poder Executivo ao Congresso Nacional sobre a execução fiscal. Além de acompanhar o cumprimento das metas estabelecidas no orçamento, os parlamentares utilizam esses encontros para discutir a sustentabilidade da dívida pública, a evolução do resultado das estatais e as perspectivas para a política fiscal nos próximos anos.








