Por Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.
A visita do presidente da Coreia do Sul ao Brasil trouxe sinais relevantes. Nesta manhã, participei do encontro dele com a comunidade coreana em São Paulo. O tom do discurso foi muito focado na reconexão com os coreanos que moram no Brasil e na construção de uma nova era de cooperação entre os dois países, com destaque para as empresas e os produtos coreanos no nosso mercado e para a chamada diplomacia civil: pessoas e instituições gerando valor e aproximação no dia a dia.
Esse ecossistema ganha ainda mais força com o intercâmbio cultural e educacional entre jovens dos dois países, reforçando os laços com a comunidade de imigrantes coreanos no Brasil, uma história que completou 63 anos em fevereiro de 2026.
Isso se conecta diretamente com o pacote de acordos firmados em Brasília ontem. Há avanços importantes em áreas estratégicas para a economia do futuro: tecnologia, inteligência artificial, semicondutores e a cadeia de minerais críticos e terras raras, integrando nossas reservas ao processamento e à indústria de alta tecnologia. Também foi anunciado um grupo de trabalho coordenado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin para destravar o acordo comercial entre Mercosul e Coreia do Sul.
Do lado das exportações brasileiras, houve um esforço claro para ampliar o espaço da carne bovina e da proteína animal em um dos mercados mais exigentes do mundo. A corrente de comércio já movimenta quase 11 bilhões de dólares por ano e tem muito espaço para crescer.
Do ponto de vista macroeconômico, o sinal é extremamente positivo, principalmente num mundo em que a geopolítica tende a acirrar o tom e a busca de acordos entre países tem ganhado relevância. Isso possibilita a diversificação da pauta exportadora, a atração de investimentos de alto valor tecnológico e um impulso duplo no comércio bilateral.








