Por Sérgio dos Santos
O corte da taxa de juros em 0,25 p.p. era esperado, levando a Selic para 14,25%. O comunicado reforça a visão de que o processo de calibragem da taxa de juros que estamos observando, só é possível devido ao período prologando de manutenção da taxa Selic, que ocorreu entre 2025 e 2026. Na época com juros em 15% ao ano por algumas reuniões seguidas. Uma postura cautelosa do copom naquele momento permite um ciclo suave de cortes na taxa de juros mesmo diante da incerteza.
O comunicado cita ainda a incerteza com as consequências do conflito entre EUA e Irã, sobre os termos do acordo de paz, e principalmente sobre quanto desse impacto já materializado vai reverberar na inflação para os próximos meses, podendo desancorar as expectativas de inflação por um período prolongado.
Dentre os riscos inflacionários o comitê cita mais uma vez a política fiscal e os estímulos econômicos, que podem enfraquecer a eficácia da política monetária. Com o estímulo a demanda agregada via política fiscal, o crescimento econômico pode superar o produto potencial enquanto o mercado de trabalho segue aquecido, exigindo um patamar mais contracionista da Selic.
Para as próximas reuniões o Copom deve manter o ritmo de corte atual, tendo como sustentação a incerteza do cenário e a dificuldade dos modelos econômicos de captarem o impacto dos eventos geopolíticos. Enquanto a economia segue com uma taxa de juros contracionista, a expectativa de que a inflação retorne para um patamar inferior ao teto da meta de inflação dentro do horizonte relevante que vai até o final de 2027.









