Por Pedro Luís.
O Governo Central encerrou o primeiro semestre de 2026 com um déficit primário de R$ 92,2 bilhões, resultado oito vezes superior ao registrado no mesmo período de 2025, quando o saldo negativo foi de aproximadamente R$ 11,3 bilhões. Os dados foram divulgados pelo Tesouro Nacional e refletem as contas do Tesouro, da Previdência Social e do Banco Central, desconsiderando o pagamento dos juros da dívida pública.
Somente em junho, o déficit primário alcançou R$ 48,2 bilhões, acima do observado no mesmo mês do ano passado e também superior às expectativas do mercado. O desempenho foi influenciado por um crescimento das despesas em ritmo mais acelerado do que o avanço das receitas.
Despesas crescem acima da arrecadação
De acordo com o Tesouro Nacional, a receita líquida do Governo Central aumentou 5,6% em termos reais no acumulado do semestre, impulsionada principalmente pela arrecadação de tributos federais e receitas ligadas à exploração de recursos naturais.
Entretanto, as despesas cresceram 12,3% em termos reais, pressionadas pelo aumento dos gastos previdenciários, despesas com saúde, pessoal, seguro-desemprego, reajustes do salário mínimo e outras políticas públicas. O avanço das despesas superou o crescimento da arrecadação, ampliando o desequilíbrio fiscal.
Meta fiscal permanece inalterada
Apesar do desempenho negativo no primeiro semestre, o governo manteve a projeção oficial para o resultado primário de 2026. O Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias continua estimando um déficit de aproximadamente R$ 52 bilhões para o ano, considerando as exclusões permitidas pelo novo arcabouço fiscal.
O mercado, por sua vez, segue acompanhando a evolução das contas públicas. Segundo o Prisma Fiscal, divulgado pelo Ministério da Fazenda em julho, a mediana das projeções aponta déficit de R$ 58,1 bilhões para o Governo Central em 2026.
Mercado monitora trajetória fiscal
O aumento do déficit ocorre em um contexto de elevada atenção dos investidores à sustentabilidade das contas públicas. A combinação entre crescimento das despesas obrigatórias, juros elevados e necessidade de financiamento do setor público mantém o tema fiscal entre os principais fatores de influência sobre o câmbio, a curva de juros e as expectativas para a política monetária.
A percepção sobre a capacidade do governo de cumprir as metas do arcabouço fiscal continuará sendo um dos principais indicadores acompanhados pelo mercado nos próximos meses.








