Por Pedro Luís.
As stablecoins consolidaram sua posição como o principal tipo de criptoativo negociado no Brasil. Levantamento divulgado pela Receita Federal mostra que essas moedas digitais já respondem por cerca de 80% do volume mensal de operações com criptoativos declaradas ao Fisco, evidenciando uma mudança significativa no perfil do mercado brasileiro.
Os dados consideram as operações declaradas entre agosto de 2019 e dezembro de 2025. Nesse período, foram informados aproximadamente R$ 1,58 trilhão em compras e vendas de criptoativos. Desse total, R$ 1,13 trilhão, ou 71,7%, correspondeu a operações com stablecoins. Nos anos mais recentes, a participação dessas moedas passou a superar 80% do volume mensal negociado.
Crescimento acelerado
Segundo a Receita Federal, as stablecoins representavam apenas 3,5% do volume declarado em 2019. A participação saltou para 79,7% em 2022, alcançou 91,5% em 2023 — com pico mensal de 94,3% em julho daquele ano — e se estabilizou entre 76% e 80% ao longo de 2024 e 2025, mesmo com a valorização de outros criptoativos.
O volume financeiro também cresceu de forma expressiva. Em novembro de 2025, as operações mensais com stablecoins atingiram R$ 39,7 bilhões, o maior valor da série histórica analisada.
USDT domina o mercado
Entre as stablecoins negociadas no Brasil, a Tether (USDT) concentra 88,7% de todo o volume declarado, o equivalente a cerca de R$ 1 trilhão em transações entre 2019 e 2025.
Na sequência aparecem a USD Coin (USDC), com 7,1%, e a Brazilian Digital Token (BRZ), responsável por 3,4% do mercado e principal stablecoin lastreada em reais entre os ativos analisados.
Nova obrigação de reporte
A divulgação dos dados ocorre no início da vigência da Declaração de Criptoativos (DeCripto). Instituída pela Instrução Normativa RFB nº 2.291/2025, a nova obrigação determina que as operações realizadas a partir de julho de 2026 sejam reportadas à Receita Federal, alinhando o Brasil ao padrão internacional Crypto-Asset Reporting Framework (CARF), desenvolvido pela OCDE.
Com a DeCripto, exchanges e demais prestadores de serviços de ativos virtuais passam a fornecer informações mais detalhadas sobre as operações realizadas por seus clientes, ampliando a capacidade de fiscalização do mercado de criptoativos.









